terça-feira, 29 de setembro de 2009
Esperança
Por que ninguém mais aguenta o "jeitinho brasileiro" e a famosa "o mundo é dos espertos". Sejamos otimistas.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
O Abraço
O que eu vou publicar hoje nesse blog quase sempre fadado as moscas pode parecer piegas; e de fato o é. É o tipo de coisa que só pensamos quando estamos com a cabeça vazia, em longos momentos de ócio ou coisa do gênero. Não era bem no ócio que eu estava, ainda assim tinha tempo para pensar: duas horas, para ser exato.
Estava eu de pé, por volta do meio-dia, de sentinela, igual cachorro, vigiando o portão quando ao longe escuto: "posso pegar uma flor?".
Olhei para o figura que havia me feito a pergunta e, meio sem entender, meio sem acreditar, me aproximei da grade. "posso pegar uma flor?" repetiu ele quando cheguei mais próximo. O Tiro de Guerra possui ao longo de todo seu alambrado algumas arvores que produzem flores, não são bonitas, mas estão lá. "Claro", respondi. Reparei no rapaz e percebi que ele devia ter por volta de 18 a vinte anos, usava um uniforme parecido com o das escolas municipais de primário e forma como falava me levou a acreditar em um retardo mental daquele jovem.
Voltei matutando sobre aquilo para o meu posto; "para que a flor?". E então me lembrei da minha infância. Das flores recolhidas ao longo do caminho para casa, as dava para minha mãe, inocente. Acreditava piamente que ela ficava feliz com ela humilde presente, puro e sincero. E realmente o era. E olhando para o passado observei o presente. Há quanto tempo que me envolvi em uma casca dura e fria, há quanto tempo escondo meus sentimentos? Das namoradas que tive, muitas vezes tive vontade de gritar "eu te amo", mas nunca o fiz. Minha irmã mais nova que sempre me recepciona com um abraço que retribuo meio sem jeito.
Perdi aquela capacidade que tinha de mostrar a todos meus sentimentos. Não chorei nos últimos enterros presenciados por mim, não chorei quando o amor de minha vida quis se separar, não abraço mais meus pais. E aquela saudade do amigo e do irmão que moram longe? É grande, é forte, é doida. Quando voltam fico feliz, mas será que sabem? Quando os vejo é um comprimento de mão, um tapinha nas costas e tudo bem.
Se você está lendo isso não se permita ter uma carranca, não deixe de abraçar quando tiver vontade, não segure as lágrimas, não segure o xingamento, não segure a raiva, felicidade, tristeza. Não é fácil, eu sei. Não sei se eu mesmo consigo mudar agora. Gostaria.
Deixo esse post para todos que nunca abracei. A todas as garotas que nunca puxei em meus braços e beijei. Àquela que há muito não tenho e que nunca esqueci e, talvez, nunca tenha ficado sabendo disso. A minhas irmãs que me veem como um rapaz frio. Aos meus pais que pouco convivo. E a todos que um dia me ofenderam e nunca tiveram uma resposta fugaz e a altura dos meus sentimentos.
Um abraço.
Estava eu de pé, por volta do meio-dia, de sentinela, igual cachorro, vigiando o portão quando ao longe escuto: "posso pegar uma flor?".
Olhei para o figura que havia me feito a pergunta e, meio sem entender, meio sem acreditar, me aproximei da grade. "posso pegar uma flor?" repetiu ele quando cheguei mais próximo. O Tiro de Guerra possui ao longo de todo seu alambrado algumas arvores que produzem flores, não são bonitas, mas estão lá. "Claro", respondi. Reparei no rapaz e percebi que ele devia ter por volta de 18 a vinte anos, usava um uniforme parecido com o das escolas municipais de primário e forma como falava me levou a acreditar em um retardo mental daquele jovem.
Voltei matutando sobre aquilo para o meu posto; "para que a flor?". E então me lembrei da minha infância. Das flores recolhidas ao longo do caminho para casa, as dava para minha mãe, inocente. Acreditava piamente que ela ficava feliz com ela humilde presente, puro e sincero. E realmente o era. E olhando para o passado observei o presente. Há quanto tempo que me envolvi em uma casca dura e fria, há quanto tempo escondo meus sentimentos? Das namoradas que tive, muitas vezes tive vontade de gritar "eu te amo", mas nunca o fiz. Minha irmã mais nova que sempre me recepciona com um abraço que retribuo meio sem jeito.
Perdi aquela capacidade que tinha de mostrar a todos meus sentimentos. Não chorei nos últimos enterros presenciados por mim, não chorei quando o amor de minha vida quis se separar, não abraço mais meus pais. E aquela saudade do amigo e do irmão que moram longe? É grande, é forte, é doida. Quando voltam fico feliz, mas será que sabem? Quando os vejo é um comprimento de mão, um tapinha nas costas e tudo bem.
Se você está lendo isso não se permita ter uma carranca, não deixe de abraçar quando tiver vontade, não segure as lágrimas, não segure o xingamento, não segure a raiva, felicidade, tristeza. Não é fácil, eu sei. Não sei se eu mesmo consigo mudar agora. Gostaria.
Deixo esse post para todos que nunca abracei. A todas as garotas que nunca puxei em meus braços e beijei. Àquela que há muito não tenho e que nunca esqueci e, talvez, nunca tenha ficado sabendo disso. A minhas irmãs que me veem como um rapaz frio. Aos meus pais que pouco convivo. E a todos que um dia me ofenderam e nunca tiveram uma resposta fugaz e a altura dos meus sentimentos.
Um abraço.
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